quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Focus Titanium Plus 2.0 PowerShift

Mais que demais - Versão Titanium tem as melhores qualidades dinâmicas do Focus sedã, mas cobra caro pelo conjunto


A versão sedã do Ford Focus nunca caiu nas graças do consumidor. Na geração anterior, os argumentos para a não-compra passavam pelo design pouco harmônico e pelo desempenho apenas correto. Mas a nova geração, lançada no Brasil em setembro, essas duas questões foram bem respondidas. 



O desenho, apesar da desafasagem de dois anos em relação à Europa, está bem mais atual e interessante. Já o comportamento dinâmico tornou o modelo – empurrado por um 2.0 de 178 cv gerenciado por um câmbio de dupla embreagem – uma espécie de referência no segmento. Só que agora o problema é outro. A Ford “salgou” demais o preço. 


A versão topo Titanium, então, é de espantar a freguesia. Ela sai a R$ 89.990, que não se justifica mesmo que venha lotado de equipamentos. Resultado: em outubro, primeiro mês completo de vendas, quando ainda é uma grande novidade, o sedã emplacou apenas 530 unidades. O número é inferior até que a média do antigo Focus sedã ao longo do ano, quando rondou 650 carros. Hoje o Focus fica atrás até de modelos “ruins de venda”, como o Renault Fluence e Volkswagen Jetta.


A nova geração do Focus chega ao Brasil com um novo motor.O 2.0 Duratec até já era conhecido, mas recebeu injeção direta – e é o primeiro motor flex com esse tipo de injeção – e apresenta seus 178 cv a 6.500 rpm.

 Já o torque, de 22,5 kgfm, aparece a 4.450 giros. O motor é sempre acoplado ao câmbio automatizado de dupla embreagem e seis marchas PowerShift – o único disponível para o 2.0 em qualquer configuração do Focus. 

O conjunto é capaz de levar o sedã de zero a 100 km/h em 9,2 segundos e à velocidade máxima na casa dos 210 km/h. O ganho de potência é notável O antigo rendia 145 cv e usava um câmbio automático de quatro marchas. O novo ainda traz um sistema de partida a frio que dispensa o famigerado “tanquinho”
Visualmente, o Focus transpira modernidade. Ele, no entanto, já está defasado em relação ao modelo europeu. Por lá, o médio já adotou a nova “cara” da Ford, que traz uma grande grade frontal, vista por aqui no Fiesta e no Fusion. Pelo menos, o carro“antigo” ainda tem linhas interessantes e rebuscadas. Ele deixa para trás o jeitão “sisudo” do sedã antigo e aposta num conjunto notavelmente mais refinado. A linha de cintura é alta e ascendente, com arcos de roda pronunciados e proporções bem definidas.

A frente baixa tem uma enorme entrada de ar inferior, dividida em três partes. Atrás, as lanternas invadem a lateral e formam um conjunto elegante e com uma pitada de ousadia – sem, no entanto, quebrar nenhum paradigma estético, como fez a primeira geração do modelo.
Nesta versão, a Ford concentrou seus esforços no interior. A versão topo é lotada de itens de conveniência e segurança comuns a carros de segmentos superiores. Além dos tradicionais ar-condicionado automático de duas zonas, teto solar e bancos em couro – “básicos” para um carro de R$ 90 mil –, ainda há o MyFord Touch, que reúne numa tela de 8 polegadas sensível ao toque diversas informações sobre o carro. 

O equipamento ainda integra GPS e câmara de ré, num painel bastante “modernoso” e envolvente. Os instrumentos até lembram o Focus antigo, mas com destaque para a telinha central colorida, que repete informações do navegador e dá várias informações sobre o carro. 

No final das contas, é na “conta” do concessionário que reside o problema do Focus. Os R$ 89.990 que a Ford cobra pelo Titanium sedã superam até mesmo o Honda Civic EXR topo, de R$ 83.990 e o Toyota Corolla Altis 2.0 de R$ 85 mil. 

O valor é idêntico ao cobrado pela Volkswagen por um Jetta Highline 2.0 TSI, que é mais potente – ainda que com equipamentos semelhantes à lista do Ford, o preço fique maior. 

Além disso, fica perigosamente próximo ao preço de um Fusion 2.5 flex – de R$ 95 mil –, com equivalência de equipamentos e força sob o capô. O Focus pode até ter um dos melhores conjuntos dinâmicos, mas o preço é simplesmente alto demais para uma marca que pretende se firmar num segmento disputado como o de sedãs médios.

Ponto a ponto
Desempenho – O novo 2.0 litros com injeção direta dá bastante vitalidade ao Focus sedã. Acelera com vigor e há boa dose de força já em rotações medianas. O torque máximo, de 22,5 kgfm, só surge inteiro a 4.450 rpm, mas a distribuição mais plana garante agilidade ao conjunto. O câmbio automatizado de seis marchas tem atuação correta – mas o acerto o deixou com comportamento pouco agressivo, próximo ao de um automático tradicional. O sistema é bem casado com o propulsor e ajuda o modelo a acelerar de zero a 100 km/h em 9,2 segundos e o empurra à máxima de 211 km/h. Nota 8.
Estabilidade – A direção tem peso correto e as suspensões trabalham muito bem para segurar o carro nas curvas. Ele não é nenhum kart, com reações elétricas, mas se mostra muito à vontade sob uma condução mais forte. As transferências de peso entre as rodas são bem controladas e é possível posicionar bem o carro numa curva graças à direção bem direta. Há pouca rolagem da carroceria e o conjunto inspira bastante segurança. Nota 10.
Interatividade – A cabine do Focus é recheada de equipamentos. A interação com o motorista é intensa, com diversos mostradores indicando várias funções do carro. O display colorido no centro do cluster de instrumentos dá informações sobre o computador de bordo, navegador e configurações do carro. A tela principal, no alto do painel, tem 8 polegadas e é sensível ao toque. Todos os comandos são de fácil acesso, mas o sistema de entretenimento demanda alguns minutos de atenção antes que possa ser operado sem maiores dificuldades. O único porém são os botões do volante, em quantidade exagerada. Nota 8.
Consumo – O InMetro testou o novo Focus Titanium sedã e conseguiu 9,6 km/l na cidade e 12,6 km/l na estrada. Médias que garantem a nota “B” no segmento e “C” no geral. Nota 7.

Conforto – O bom comportamento dinâmico do modelo não é resultado de uma suspensão rígida e desconfortável. Mesmo com um acerto mais firme, o Focus trata bem os ocupantes, com boa absorção das imperfeições do solo. 


Os bancos também são confortáveis e acolhedores, ainda que o espaço reduzido no banco traseiro possa forçar os maiores de 1,75 m a se espremerem contra o teto baixo. Na frente, há bom espaço. O isolamento acústico é eficiente e só deixa o ruído do motor invadir a cabine em acelerações mais fortes. Nota 9.

Tecnologia – Na Europa, esta terceira geração do Focus está no meio de sua vida útil – foi lançada no fim de 2010 na Europa e nos Estados Unidos. A plataforma é moderna e dá suporte a versões elétricas e híbridas em outros mercados. Há itens importantes de segurança como monitor de pontos cegos, seis airbags e o sistema MyFord Touch da versão topo é destaque no interior. 

Ele ainda traz sistema de estacionamento automático. O motor 2.0 é conhecido, mas recebeu injeção direta – além ser flex no mercado brasileiro. O câmbio é um moderno automatizado de dupla embreagem. Nota 8.
Habitabilidade – O acesso ao interior é fácil, com portas amplas e de bom ângulo de abertura. O interior tem vários nichos para objetos de uso rápido, como carteira e telefones, mas o porta-luvas poderia ser maior. O porta-malas tem razoáveis 421 litros de capacidade. Nota 7.
Acabamento – A versão topo do Focus é bem acabada, com arremates corretos. O alto do painel é emborrachado e há couro no volante e nos bancos. Os materiais, porém, não trazem sofisticação que justifique o preço de R$ 90 mil. Nota 7.
Design – O visual “musculoso” é marcante no Focus. A carroceria larga tem muitas superfícies planas e sutileza em recortes e vincos. A frente é dominada pela entrada de ar, dividida em três seções. Atrás, o terceiro volume curto dá alguma esportividade ao conjunto. Mas esse excesso de detalhes fez o design envelhecer rápido – na Europa, ele já foi até substituído. Pior: na concessionária vai ter vizinhos como Fiesta e Fusion, com desenhos bem mais modernos. Nota 6.

Custo/benefício – O Focus Titanium é recheado de equipamentos e apresenta um conjunto acertado. Mas o preço elevado da versão topo de linha o deixa em certa desvantagem. 
Os R$ 90.990 cobrados pelo carro com pintura metálica o deixa mais caro que modelos de marcas conhecidas por “salgarem” a tabela de preços, como Honda e Volkswagen.
O valor é também bastante próximo aos R$ 95 mil de um Fusion 2.5 flex, a variante mais simples do médio-grande. Nota 5.
Total – O Ford Focus Titanium 2.0 Powershift sedã somou 75 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir


O Focus é daqueles carros que cativa com o tempo. O visual é mais interessante que o da antiga geração, com traços robustos e um ar quase esportivo. A linha de cintura alta dá um perfil agressivo mesmo à versão sedã, cuja traseira definitivamente não parece adaptada ao corpo de um hatch – fenômeno comum no segmento. 

No entanto, é em movimento que o modelo apresenta seus melhores dotes. A direção tem ótima comunicação com as rodas da frente e passa muita precisão nos comandos. 

A suspensão reage bem a mudanças de rota e brilha numa sequência de curvas mais fechadas, com bom controle da rolagem da carroceria e acerto firme. Definitivamente, um sedã que dá prazer de dirigir.
Os bons 178 cv extraídos do 2.0 litros completam o bom conjunto dinâmico do modelo. Há força suficiente para empurrar o carro com decisão, sem vacilos. Apesar dos 22,5 kgfm de torque aparecerem por completo apenas a 4.450 rpm, a pegada é consistente desde giros mais baixos, com atuação precisa do câmbio automatizado de seis marchas. As trocas são suaves e o escalonamento aproveita bem o potencial do motor.

O único problema é a operação das trocas manuais, feita por um botão na alavanca de mudanças, que dificulta o uso durante uma condução mais arrojada. Pelo menos, o modo automático entende bem os anseios do motorista com o pé direito e efetua mudanças com alguma presteza.
Além do bom comportamento, a versão topo Titanium Plus vem recheada de equipamentos que facilitam o dia-a-dia com o modelo. O sistema de som é controlado por uma enorme tela sensível ao toque no alto do painel. O sistema tem uso descomplicado e exibe várias informações simultaneamente – como dados do som, ar-condicionado, direções do navegador e telefone –, ou pode mostrar apenas o mapa do GPS, por exemplo. 

No centro do cluster de instrumentos, uma outra tela colorida também tem informações do computador de bordo, configurações do veículo e também pode repetir as instruções do GPS – com visualização mais rápida. Há poucos botões físicos espalhados – pelo menos no Focus a Ford tratou de “limpar” o interior, deixando apenas os essenciais, como um giratório para o volume do som. 
Ao volante, o motorista tem acomodações muito boas, com bancos envolventes e confortáveis.
Atrás, no entanto, o espaço é mais exíguo, com limitações a adultos de altura superior aos 1,75 m.

O vão para as pernas é até bom, mas o caimento mais acentuado do teto cobra seu preço em espaço reduzido. Ao menos, a cabine é aconchegante, com materiais agradáveis, embora sem requinte, e esmero na montagem.

Ficha técnica

Ford Focus Titanium Plus 2.0 PowerShift

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.999 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e duplo comando de válvulas variável. Acelerador eletrônico e injeção direta de combustível.

Transmissão: Câmbio automatizado de dupla embreagem com seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração.

Potência máxima: 178 cv a 6.500 rpm.
Torque máximo: 22,5 kgfm a 4.450 rpm.

Diâmetro e curso: 87,5 mm x 83,1 mm. Taxa de compressão: 12,0:1.
Aceleração de zero a 100 km/h: 9,2 segundos.
Velocidade máxima: 211 km/h.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira do tipo multilink, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Oferece controle de estabilidade.


Pneus: 215/50 R17.

Freios: Discos na frente e atrás. Oferece ABS com EBD.

Carroceria: Sedã em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,53 metros de comprimento, 1,82 m de largura, 1,47 m de altura e 2,65 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.

Peso: 1.414 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 421 litros.
Tanque de combustível: 55 litros.

Produção: General Pacheco, Argentina.
Lançamento mundial: 2011.
Lançamento no Brasil: 2013.

Itens de série: Airbags frontais, laterais e de cortina, ABS com EBD, controle de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas, aviso de pressão baixa dos pneus, rodas de liga leve de 17 polegadas, direção elétrica, ar-condicionado automático de duas zonas, volante multifuncional, revestimento em couro, controlador de velocidade de cruzeiro, chave presencial, sensores de chuva e luminosidade.

Retrovisor interno eletrocrômico e externos com rebatimento elétrico, sistema de entretenimento com tela central sensível ao toque de 8 polegadas com entrada de vídeo/áudio RCA, GPS e sistema de som com 9 alto falantes, faróis de xênon, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, luzes diurnas de led, teto solar elétrico, sistema de estacionamento automático e banco do motorista com ajuste elétrico.

Preço: R$ 89.990.
Opcional: Pintura metálica.
Autor: Igor Macário (Auto Press)
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

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